A chamada “terapia de conversão”, uma prática amplamente desacreditada e considerada abusiva, ainda afeta milhares de pessoas LGBTQIA+ no Reino Unido. Um estudo recente encomendado pela instituição de caridade LGBTQIA+ Stonewall revelou a escala alarmante dessas práticas, que permanecem legais no país, mesmo após anos de promessas políticas de proibição.
A pesquisa revelou que 31% das pessoas LGBTQIA+ entrevistadas sofreram tentativas de mudar sua identidade de gênero e/ou orientação sexual. Dentre elas, um em cada dez foi submetido a estupro corretivo ou exorcismo, reforçando o caráter violento e coercitivo dessas práticas.
Outras métodos também foram relatados, como agressão física, uso forçado de oração, isolamento social e exclusão de família e amigos. Além disso, 15% das vítimas foram ameaçadas de ficar sem moradia caso não “mudassem” quem eram.
O Reino Unido prometeu proibir a terapia de conversão desde 2018, quando a então primeira-ministra Theresa May apoiou a ideia. No entanto, governos sucessivos falharam em levar essa legislação adiante. O atual governo do Partido Trabalhista, sob Keir Starmer, afirma estar comprometido com a proibição, mas ainda não apresentou uma solução concreta.
Enquanto isso, os danos continuam: Matthew, uma das vítimas dessas práticas, relata que a conversão forçada o fez duvidar de si mesmo, causando ansiedade, isolamento e depressão. “Ninguém deveria passar por isso”, afirma.
Simon Blake, diretor-executivo da Stonewall, enfatiza que a cada dia que passa sem uma proibição, mais pessoas LGBTQIA+ sofrem danos irreparáveis. “Por trás desses números estão pessoas reais que foram informadas de que suas identidades eram erradas, que precisavam ser ‘curadas’.”
A falta de legislação também impacta o prestígio internacional do Reino Unido. O país, que já foi líder global nos direitos LGBTQIA+, caiu do 1º para o 15º lugar na Europa em termos de políticas inclusivas.
Diante desse cenário, ativistas e organizações pedem a proibição total da terapia de conversão e medidas concretas para proteger a comunidade LGBTQIA+ contra esses abusos.