Milhares de húngaros se reuniram em Budapeste na terça-feira, 1º de abril, para protestar contra a proibição governamental de marchas do Orgulho LGBTQIA+. A nova lei, aprovada em março pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, faz parte de uma série de medidas anti-LGBTQIA+ adotadas pelo governo ultraconservador.
A chamada “lei de proteção à criança” permite que as autoridades multem em até 200.000 forints (aproximadamente £420) organizações e participantes de eventos LGBTQIA+. Além disso, a legislação autoriza o uso de reconhecimento facial para identificar e monitorar manifestantes, levantando sérias preocupações sobre privacidade e repressão política.
“Isso é fascismo”, denuncia Budapest Pride
O Budapest Pride, uma das organizações mais impactadas pela medida, condenou a lei com veemência, afirmando que “isso não é proteção infantil, isso é fascismo”.
Parlamentares do partido centrista Momentum Movement também protestaram contra a legislação dentro do Országház, o prédio do Parlamento húngaro, queimando sinalizadores e distribuindo imagens satíricas de Orbán beijando o presidente russo Vladimir Putin. A imagem reflete a crescente relação entre os dois líderes, que compartilham visões conservadoras e autoritárias.
Dez mil manifestantes tomam Budapeste
No coração da capital, a Ponte Elisabeth se tornou palco de um massivo ato de resistência. Com cartazes exigindo “democracia” e o fim da “corrupção”, mais de 10.000 manifestantes expressaram sua revolta contra o governo e sua repressão aos direitos da comunidade LGBTQIA+.
A onda de protestos se intensifica desde a aprovação da lei, tornando este o terceiro grande ato contra Orbán em menos de um mês. O impacto político da legislação também ecoa fora do país, com críticas vindas da comunidade internacional.
Pressão internacional contra a repressão
A repressão aos direitos LGBTQIA+ na Hungria não passou despercebida no cenário global. Vinte e duas embaixadas, incluindo as da França, Alemanha e Reino Unido, assinaram uma carta aberta denunciando a proibição do Orgulho LGBTQIA+. O documento critica a restrição do “direito de reunião pacífica e da liberdade de expressão”, enfatizando o retrocesso democrático que a Hungria enfrenta sob o governo Orbán.
O primeiro-ministro húngaro, que está no poder desde 2010, tem um histórico de medidas que restringem os direitos da comunidade LGBTQIA+. Em 2024, ele reafirmou seu posicionamento, declarando que “nenhum dinheiro no mundo” o faria mudar sua visão anti-LGBTQIA+.
Enquanto o governo continua a endurecer suas políticas, a população húngara mostra que a resistência cresce a cada dia. Os protestos em Budapeste são uma mensagem clara: a luta pelos direitos LGBTQIA+ está longe de acabar.