A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) anunciou a criação de um Processo Seletivo Especial (PSE) voltado exclusivamente para pessoas transgêneras, transexuais e travestis. O objetivo da iniciativa é ampliar o acesso e a inclusão dessa população no ensino superior, com a oferta de 46 vagas em 42 cursos de graduação. A proposta foi aprovada após uma recomendação do Ministério Público do Pará e visa garantir uma educação mais acessível para a comunidade trans.
O PSE Transgênero 2025 será realizado para promover a inclusão social de pessoas transgêneras e travestis nas universidades públicas. O processo seletivo oferece 46 vagas que serão distribuídas entre diversos cursos de graduação nos campi de Belém, Capanema, Capitão Poço, Paragominas, Parauapebas e Tomé-Açu. As inscrições serão gratuitas e poderão ser realizadas entre 20 de março e 3 de abril de 2025.
Para se candidatar ao processo seletivo, os candidatos precisam atender a alguns requisitos. O principal critério é ter realizado pelo menos uma edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2020 e 2024. Caso o candidato tenha feito mais de uma edição do Enem, poderá optar pela melhor nota, desde que não tenha zerado a redação e tenha alcançado pelo menos 450 pontos na média geral.
O percentual de vagas destinadas ao PSE Transgênero corresponde a 2% do total de vagas da universidade. A distribuição das vagas será feita conforme o número de vagas disponíveis em cada curso. Por exemplo:
Caso as vagas não sejam preenchidas, elas retornarão ao banco geral da instituição.
O projeto do processo seletivo foi desenvolvido por um Grupo de Trabalho (GT) composto por 12 membros, incluindo docentes, técnicos e alunos, sendo três deles pessoas trans. A proposta foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Ufra em 20 de dezembro de 2024.
Emilly Cassandra, uma travesti e aluna do curso de Letras Português da Ufra, participou do GT e enfatizou a importância dessa ação para garantir o acesso da população transgênera ao ensino superior. “Muitas travestis não têm acesso nem ao Ensino Fundamental. Essa é uma luta nacional para que essas pessoas, historicamente marginalizadas, possam se tornar profissionais qualificadas”, comentou.
Ela também compartilhou sua trajetória pessoal: “Concluí o Ensino Médio pelo Encceja e hoje estou em uma universidade pública de qualidade. Quando falamos de cotas, falamos de respeito e aceitação do gênero dessas pessoas”, afirmou.
Os candidatos aprovados no PSE Transgênero 2025 iniciarão as aulas em 19 de maio de 2025, juntamente com os calouros do Processo Seletivo Próprio (Prosel Ufra) e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). No entanto, os cursos de Enfermagem (Parauapebas) e Letras Língua Portuguesa (Tomé-Açu) terão início no segundo semestre de 2025.
A criação do PSE Transgênero 2025 representa um passo significativo para a inclusão social e educacional da população trans no ensino superior. A iniciativa reforça o compromisso da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) com a diversidade, equidade e o respeito aos direitos da população LGBTQIA+, garantindo mais oportunidades e acesso à educação de qualidade para todos.